O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu, nesta quinta-feira (3), a presidência rotativa do Mercosul, sucedendo o argentino Javier Milei. O revezamento do comando do bloco, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, ocorre a cada seis meses. A Bolívia está na fase final do processo de adesão.
No encontro realizado na Argentina, Lula foi recebido com cumprimento protocolar por Milei, em clima cordial, apesar das divergências ideológicas entre os dois líderes. Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, Brasil e Argentina mantêm relação pragmática, conduzida pelas chancelarias.
Em discurso sem improvisos, Lula defendeu o Mercosul como um “refúgio” em meio à instabilidade global e fez uma crítica velada ao ex-presidente dos EUA Donald Trump por promover “guerras comerciais”. O petista reforçou a importância de resguardar a autonomia regional e ampliar as relações com a Ásia, destacando países como China, Índia, Japão e Vietnã.
Durante a cerimônia, Milei provocou Lula ao responsabilizá-lo pelo avanço de facções criminosas brasileiras no Mercosul. Lula não respondeu diretamente, mas prometeu intensificar o combate ao crime organizado, reforçar ações na Tríplice Fronteira e abrir o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia.
Lula também reiterou a expectativa de concluir o acordo do Mercosul com a União Europeia até o fim do ano, além de avançar tratativas com Canadá, Emirados Árabes, Panamá e República Dominicana. Por fim, voltou a defender regulação de big techs, combate às desigualdades e fortalecimento de sindicatos.








