Moradores, pescadores e marisqueiros de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (3) para cobrar o pagamento de indenizações às famílias afetadas pela contaminação da praia. O protesto aconteceu nas proximidades da Base Naval e provocou o bloqueio temporário da passagem de ônibus, carros e motocicletas. O trânsito já foi normalizado.
Segundo os moradores, cerca de 950 pessoas foram prejudicadas pela contaminação, que comprometeu atividades como pesca, mariscagem e comércio de alimentos e bebidas na faixa de areia.
Em setembro, representantes de órgãos estaduais e federais, incluindo o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e o Ministério Público Federal (MPF), participaram de uma reunião com a Gerdau, uma das empresas envolvidas no caso. Na ocasião, foi discutida a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com previsão de pagamento de valores às famílias atingidas. Entretanto, os manifestantes afirmam que nenhum recurso foi depositado até o momento.
A falta de renda tem provocado dificuldades financeiras entre os trabalhadores. A marisqueira Elenita dos Santos relatou a situação enfrentada pelas famílias e cobrou providências.
“Estamos pedindo justiça, porque são muitas pessoas passando fome, miséria”, desabafou.
Comerciantes que dependiam do movimento da praia também relatam prejuízos. A barraqueira Railda da Paz contou que perdeu equipamentos durante o período em que ficou sem trabalhar. Já outros moradores afirmam que continuam acumulando dívidas e não sabem quando poderão retomar suas atividades.
A comunidade também questiona a demora na recuperação ambiental da praia. A distribuição de cestas básicas, segundo os moradores, não é suficiente para compensar a perda de renda de quem depende diretamente do mar para sobreviver.
Relembre o caso
A contaminação da praia de São Tomé de Paripe começou a ser investigada após um episódio de vazamento de substâncias químicas, em fevereiro deste ano. O caso envolve as empresas Gerdau e Intermarítima.
Análises do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificaram a presença de substâncias contaminantes, incluindo cobre e nitrato amoniacal, na região. O episódio provocou impactos ambientais, como a morte de animais marinhos, e comprometeu o trabalho de pescadores e marisqueiros.
Em junho, o Inema aplicou multas de R$ 50 milhões à Gerdau e R$ 20 milhões à Intermarítima. Em agosto, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 387,6 milhões em bens das empresas investigadas.
Apesar das medidas, moradores afirmam que ainda aguardam a reparação dos prejuízos e a recuperação da praia.
Em nota, a Gerdau informou que continua em diálogo com autoridades e órgãos competentes para construir uma solução social e técnico-ambiental para a região.




