O bloco Ilê Aiyê publicou, nesta quinta-feira (30), uma nota sobre um caso de racismo que membros do grupo sofreram em um restaurante de Salvador na última quinta (23), antes de se apresentarem. O caso ocorreu no Bistrot Trapiche Adega, no bairro do Comércio.
De acordo com nota publicada no Instagram do bloco, a dona do local, que o grupo identificou como Vivianne Mendonça, pediu que os integrantes da banda saíssem do local.
“[Disse] que não era para estarmos ali, pois naquele local tinha coisas de valor”.
O caso aconteceu após a banda perguntar se havia algum lugar para que os integrantes pudessem se trocar para começar a apresentação no restaurante. Após a desconfiança, a banda resistiu em se apresentar no local, mas foram convencidos pelo contratante a seguir com o show.
“É inadmissível que esse tipo de coisa continue acontecendo na nossa cidade. Alguns brancos e brancas dessa cidade precisam entender que ser negro ou negra não é sinônimo de ladrão ou ladra. Fomos feridos na alma e esperamos que atos como esse deixem de acontecer em nosso país”, afirmou o grupo na nota.
A mulher ainda teria pedido para que uma funcionária do local ficasse na porta observando as trocas de roupas dos músicos e que a porta ficasse aberta para que não roubassem nada do local.
“Fomos tratados como ladrões e não artistas que estavam ali para realizar um trabalho”.
Nos comentários do post no Instagram, os seguidores agradeceram que a banda citou o nome do restaurante para não frequentarem mais o local. O perfil do restaurante na mesma rede social desativou os comentários e, até então, os responsáveis não se pronunciaram publicamente.
O Ilê Aiyê é considerado o primeiro bloco afro do Brasil e foi criado em 1º de novembro de 1974, quando Antônio Carlos Vovô, Apolônio de Jesus (1952-1992) e outros moradores do entorno da ladeira do Curuzu, na Liberdade, em Salvador, decidiram montar um bloco de carnaval formado apenas por negros. Até hoje, apenas pessoas negras podem desfilar no Ilê.











