Quando a ciência parecia estar cada vez mais próxima de vencer a luta contra o HIV, a ONU fez um alerta preocupante: a epidemia pode voltar a crescer em várias partes do mundo. O motivo não é a falta de avanços científicos, mas a redução dos investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento.
O relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), divulgado durante a Conferência Internacional de AIDS 2026, mostra que o número de novas infecções e de mortes relacionadas à doença está no menor nível dos últimos 30 anos. Ainda assim, em 2025 foram registrados 1,2 milhão de novos casos de HIV e 570 mil mortes em todo o mundo.
Entre os maiores avanços da ciência estão medicamentos injetáveis que podem ser aplicados a cada seis meses e oferecem níveis de proteção considerados próximos aos de uma vacina. O problema, segundo a ONU, é que essas tecnologias podem não chegar à população mais vulnerável por falta de recursos.
A redução do financiamento internacional já provocou cortes em programas de prevenção em diversos países. Além disso, cerca de 22% das pessoas que vivem com HIV ainda não recebem tratamento adequado.
O Brasil aparece no relatório como um dos países que ampliaram o acesso aos medicamentos preventivos, mas ainda enfrenta desafios para incorporar novas tecnologias. Para o UNAIDS, acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 ainda é possível, mas isso dependerá da manutenção dos investimentos e do acesso universal aos tratamentos.






