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Operação resgata trabalhadores em situação análoga à escravidão em vinícolas no RS

Foto: Reprodução/Polícia Federal

Uma operação policial na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, resgatou mais de 200 trabalhadores em situação análoga à escravidão. A ação foi realizada a partir da denúncia feita por três homens, que conseguiram fugir do local em que eram mantidos presos.

Os trabalhadores relatam que foram contratados para trabalhar de forma temporária na safra da uva para as vinícolas Aurora, Cooperativa Garibaldi e Salton.

Alguns baianos estão entre as vítimas. Um deles, que conseguiu fugir, contou que a empresa prometeu o pagamento de mais de R$ 4 mil por dois meses de trabalho. Entretanto, a realidade foi outra; chegando lá, sofreram com atrasos nos salários, violências físicas, longas jornadas de trabalho, alimentação inadequada, além de cárcere privado.

“Todos os dias, a gente amanhece com o pensamento de ir para casa. Mas não tem como a pessoa ir para casa porque eles prendem a gente de uma forma que ou a gente fica ou, se não quiser ficar, vai morrer. Se a gente quiser sair, quebrar o contrato, sai sem direito a nada, nem os dias trabalhados, sem passagem, sem nada. Então, a gente é forçado a ficar”, contou a vítima

Em depoimento ao Ministério do Trabalho, parte desses homens relatou que castigos com choque elétrico e spray de pimenta eram constantes.

A empresa que contratou os trabalhadores, a Fênix Serviços de Apoio Administrativo, pertence ao baiano Pedro Augusto de Oliveira Santana, de 45 anos. Ele chegou a ser preso, mas responderá pelo crime em liberdade por ter pago fiança no valor de R$ 40 mil.

Por meio de nota, o advogado da empresa informou que “a empregadora Fênix Serviços de Apoio Administrativo e seus administradores esclarecem que os graves fatos relatados pela fiscalização do trabalho serão esclarecidos em tempo oportuno, no decorrer do processo judicial.”

As vinícolas afirmaram desconhecer a situação dos trabalhadores. Em nota, a Salton disse que “não compactua com estas práticas e se coloca à disposição dos órgãos competentes para colaborar com o processo“. Já a Aurora declarou que “se solidariza com os trabalhadores contratados pela empresa terceirizada e reforça que não compactua com qualquer espécie de atividade considerada, legalmente, como análoga à escravidão.  A Cooperativa Garibaldi afirmou que “reitera seu compromisso com o respeito aos direitos – tanto humanos quanto trabalhistas – e repudia qualquer conduta que possa ferir esses preceitos.”

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