A Ialorixá Mãe Iara D’Oxum afirma que foi vítima de intolerância religiosa, em um salão de beleza localizado em um shopping no bairro de São Cristóvão, em Salvador.
Segundo a líder religiosa, uma manicure que trabalha no estabelecimento se recusou a atendê-la, dizendo “eu não faço a unha disso aí”.
Após o ocorrido, a segurança do shopping e a Polícia Militar foram acionadas e um grupo de pessoas chegou a fazer um protesto na porta do estabelecimento, vestidos de branco e tocando atabaques.
Em nota, a Polícia Civil informou que o boletim de ocorrência foi registrado como racismo na 12ª Delegacia Territorial (DT/Itapuã). A manicure esteve na unidade policial, no sábado (25), acompanhada de um advogado, onde negou o ocorrido.
O advogado do salão de beleza, Marcelo Sotero, alegou que não houve intolerância religiosa, e sim que a Ialorixá tentou furar a fila.
“Nunca houve discriminação por parte da manicure com a dona Iara. O que aconteceu foi: ela estava fazendo um procedimento no salão e saiu, e a manicure começou a atender a próxima cliente da fila. Depois, ela voltou, e se revoltou porque foi preterida. A vez era dela, mas, ela não estava no espaço físico do salão no momento em que a manicure chamou, e isso gerou toda a revolta”.
A proprietária do salão disse que não estava presente no dia do ocorrido, mas se manifestou sobre o caso.
“Ela simplesmente jogou a bolsa, chamou o cabeleleiro e disse: ‘Vamos aqui fora fumar’. E largou a bolsa. As imagens de segurança são claras. Nisso, a recepcionista chamou, e o tempo de tolerância é de 5 a 10 minutos. No caso dela, esperamos 47 minutos. A manicure é uma profissional liberal, ela ganha conforme o atendimento dela”. De acordo com a proprietária, devido a essa espera de 47 minutos, a profissional acabou perdendo duas clientes.
Ainda segundo a dona do salão de beleza, Mãe Iara D’Oxum chegou a proferir palavras racistas contra a manicure, que também seria “filha de santo”: “Olhou para ela com olhar de desdém, e ainda dizia: ‘Quem é você, sua negra encardida, para fazer meu pé e mão?’. O crime de racismo partiu dela”.
A manicure também registrou boletim de ocorrência sobre o caso.








